"Nunca vim aqui
Onde já estive, e esqueci.
Encontro tudo tão mudado.
A tua boca que não conheci.
Os quadrados da toalha alucinados.
Os copos todos. Descrevendo círculos
Sobre o chão todo enxadrezado.
A tua boca aparecendo à janela
De uma paisagem que se apagou.
Os copos dançando todos
Em volta dos teus lábios ausentes.
A tua boca de novo acesa
O vinho sendo servido pelo braço.
Os copos abertos, desaparecidos.
O líquido derramado
Sobre o tecto, por onde foste
Para a paisagem que há-de vir.
Uma cabeça de lobo à janela
Segurando nos dentes o fragmento
De um vestido talvez nunca usado.
Desde que comecei a escrever isto
Que não me sinto. Nunca estive aqui
Não fui pelas palavras autorizado"
Vitor Oliveira Jorge
«Eis onde vivo por momentos. Onde sou uma respiração do silêncio. (...)Estar ou ser no encontro tornou-se a exactidão pura de uma densidade tranquila e suficiente,internamente imensa.» in Clareiras, Antonio Ramos Rosa
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Uma esplanada sobre o mar
Salpicos para a Alma...
"Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...
Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...
Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!
Ternura poema de David Mourão-Ferreira, in "Infinito Pessoal"
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...
Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...
Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!
Ternura poema de David Mourão-Ferreira, in "Infinito Pessoal"
[viii]
algures onde eu nunca viajei,alegremente além de
qualquer experiência,os teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frouxo há coisas que me prendem,
ou que eu não posso tocar de tão próximas que estão
o teu mínimo olhar há-de fácilmente desprender-me
embora eu não me tenha cerrado como dedos,
tu sempre me abres pétala a pétala como abre a Primavera
(tocando hábil,misteriosamente)a primeira rosa
mas se teu desejo for encerrar-me,eu e
minha vida fecharemos em beleza,de repente,
como quando o coração desta flor imagina
a neve em tudo cuidadosa descendo;
nada do que existe para ser sentido neste mundo iguala
o poder da tua extrema fragilidade:cuja textura
me submete com a cor dos seus domínios,
representando a morte e para sempre em cada alento
(eu não sei o que é que há em ti que fecha
e abre;apenas alguma coisa em mim entende
a voz dos teus olhos mais profunda que todas as rosas)
ninguém,nem mesmo a chuva,tem tão finas mãos
xix poemas, e.e. cummings, a quem retorno sempre...
qualquer experiência,os teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frouxo há coisas que me prendem,
ou que eu não posso tocar de tão próximas que estão
o teu mínimo olhar há-de fácilmente desprender-me
embora eu não me tenha cerrado como dedos,
tu sempre me abres pétala a pétala como abre a Primavera
(tocando hábil,misteriosamente)a primeira rosa
mas se teu desejo for encerrar-me,eu e
minha vida fecharemos em beleza,de repente,
como quando o coração desta flor imagina
a neve em tudo cuidadosa descendo;
nada do que existe para ser sentido neste mundo iguala
o poder da tua extrema fragilidade:cuja textura
me submete com a cor dos seus domínios,
representando a morte e para sempre em cada alento
(eu não sei o que é que há em ti que fecha
e abre;apenas alguma coisa em mim entende
a voz dos teus olhos mais profunda que todas as rosas)
ninguém,nem mesmo a chuva,tem tão finas mãos
xix poemas, e.e. cummings, a quem retorno sempre...
Ainda Fernando Pessoa...
A criança que fui chora na estrada
deixei-a ali quando vim ser quem sou;
mas hoje, vendo que o que sou é nada,
quero ir buscar quem fui onde ficou.
Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
a vida tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
de o não saber, a minha alma está parada.
Se ao menos atingir neste lugar
um alto monte, de onde possa enfim
o que esqueci, olhando-o, relembrar
na ausência, ao menos, saberei de mim,
e, ao ver-me tal e qual fui ao longe, achar
em mim um pouco de quando era assim.
deixei-a ali quando vim ser quem sou;
mas hoje, vendo que o que sou é nada,
quero ir buscar quem fui onde ficou.
Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
a vida tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
de o não saber, a minha alma está parada.
Se ao menos atingir neste lugar
um alto monte, de onde possa enfim
o que esqueci, olhando-o, relembrar
na ausência, ao menos, saberei de mim,
e, ao ver-me tal e qual fui ao longe, achar
em mim um pouco de quando era assim.
Sobre uma relação minuciosa
Brevemente, sobre uma relação minuciosa
de duas mãos transparentes
cheias de dedos que procuram
debaixo de cascas
nas profundíssimas raízes da árvore
que procuram
O que está escrito sobre nós
de dedos transparentes
de mãos vazias
que escondem ainda alguma coisa que te diz respeito
...o que está escrito na água?
12121994margaridaoliveira
de duas mãos transparentes
cheias de dedos que procuram
debaixo de cascas
nas profundíssimas raízes da árvore
que procuram
O que está escrito sobre nós
de dedos transparentes
de mãos vazias
que escondem ainda alguma coisa que te diz respeito
...o que está escrito na água?
12121994margaridaoliveira
e.e. cummings
i thank You God for most this amazing
day:for the leaping greenly spirits of trees
and a blue true dream of sky;and for everything
which is natural which is infinite which is yes
(i who have died am alive again today,
and this is the sun's birthday;this is the birth
day of life and of love and wings:and of the gay
great happening illimitably earth)
how should tasting touching hearing seeing
breathing any-lifted from the no
of all nothing-human merely being
doubt unimaginable You?
(now the ears of my ears awake and
now the eyes of my eyes are opened)
day:for the leaping greenly spirits of trees
and a blue true dream of sky;and for everything
which is natural which is infinite which is yes
(i who have died am alive again today,
and this is the sun's birthday;this is the birth
day of life and of love and wings:and of the gay
great happening illimitably earth)
how should tasting touching hearing seeing
breathing any-lifted from the no
of all nothing-human merely being
doubt unimaginable You?
(now the ears of my ears awake and
now the eyes of my eyes are opened)
Sweet September
"Amar de muito perto, de tão perto um olhar
do outro, nus e cegos, sem tempo, amarras,
desilusões contadas um ao outro. Uma biografia
é um monumento, arrasta muitas vozes pela
noite, uma sede sem razão. Frutos escassos
e sem poesia. Palavras, coisas vagamente sujas
ou perdoadas, esvoaçando, devassas.
Dedos de muito perto entrelaçados, húmidos,
armadilhas, questões de astronomia, coisas
vagamente segredadas, voláteis, cheias de azul."
in Se me Comovesse o Amor, de Francisco José Viegas
do outro, nus e cegos, sem tempo, amarras,
desilusões contadas um ao outro. Uma biografia
é um monumento, arrasta muitas vozes pela
noite, uma sede sem razão. Frutos escassos
e sem poesia. Palavras, coisas vagamente sujas
ou perdoadas, esvoaçando, devassas.
Dedos de muito perto entrelaçados, húmidos,
armadilhas, questões de astronomia, coisas
vagamente segredadas, voláteis, cheias de azul."
in Se me Comovesse o Amor, de Francisco José Viegas
O poema que me fez amar novamente a poesia...
"Se me Comovesse o Amor
Se me comovesse o amor como me comove
a morte dos que amei, eu viveria feliz. Observo
as figueiras, a sombra dos muros, o jasmineiro
em que ficou gravada a tua mão, e deixo o dia
caminhar por entre as veredas, caminhos perto do rio.
Se me comovessem os teus passos entre os outros,
os que se perdem nas ruas, os que abandonam
a casa e seguem o seu destino, eu saberia reconhecer
o sinal que ninguém encontra, o medo que ninguém
comove.Vejo-te regressar ao deserto, atravessar
os templos, iluminar as varandas, chegar tarde.
Por isso não me procures, não me encontres,
não me deixes, não me reconheças. Dá-me apenas
o pão, a palavra, as coisas possíveis. De longe."
obrigado Francisco José Viegas...
Se me comovesse o amor como me comove
a morte dos que amei, eu viveria feliz. Observo
as figueiras, a sombra dos muros, o jasmineiro
em que ficou gravada a tua mão, e deixo o dia
caminhar por entre as veredas, caminhos perto do rio.
Se me comovessem os teus passos entre os outros,
os que se perdem nas ruas, os que abandonam
a casa e seguem o seu destino, eu saberia reconhecer
o sinal que ninguém encontra, o medo que ninguém
comove.Vejo-te regressar ao deserto, atravessar
os templos, iluminar as varandas, chegar tarde.
Por isso não me procures, não me encontres,
não me deixes, não me reconheças. Dá-me apenas
o pão, a palavra, as coisas possíveis. De longe."
obrigado Francisco José Viegas...
Num tempo absorto,
Num tempo absorto,
encolho-me nas pontas de trajectos
absolutos.
Vagueio pelas sombras, atrapalhadamente
coladas a cantos, em ruas traçadas.
As minhas viagens quadriculadas de
desertos infinitos
deixam marcas nos teus cabelos
sob o céu, que tocas com os dedos
trazendo bolas de sabão agarradas.
Os meus sonhos suspirados
que rebentam e correm através das portas-
gaivotas pousam nos olhos
e observam recolhidas
o horizonte do mar vastissimo de muitos anos
e aberto para o teu pescoço derramado
no espaço plano do chão-
pregam-se à minha carne transparente.
Abandono-me no tempo absoluto
dos lençois escorregadios
e as estrelas colam-se aos olhos aguados.
Acolchoada com fazendas e tapetes
medito-te, projecto-te
faço-te aparecer.
encolho-me nas pontas de trajectos
absolutos.
Vagueio pelas sombras, atrapalhadamente
coladas a cantos, em ruas traçadas.
As minhas viagens quadriculadas de
desertos infinitos
deixam marcas nos teus cabelos
sob o céu, que tocas com os dedos
trazendo bolas de sabão agarradas.
Os meus sonhos suspirados
que rebentam e correm através das portas-
gaivotas pousam nos olhos
e observam recolhidas
o horizonte do mar vastissimo de muitos anos
e aberto para o teu pescoço derramado
no espaço plano do chão-
pregam-se à minha carne transparente.
Abandono-me no tempo absoluto
dos lençois escorregadios
e as estrelas colam-se aos olhos aguados.
Acolchoada com fazendas e tapetes
medito-te, projecto-te
faço-te aparecer.
"Poema Acto"
eu,
a partir de mim, eu sei
da importância da superfície
que me dá as coordenadas dos espaços
o terreno das imperfeições onde piso.
lentamente o meu mundo constrói-se
por dentro
fabrico-o com introspecções
preciso dele. vivo dele.
estas anotações acrescentam, à ponte para ti
o outro de mim projectado
eu existo
no silêncio, enrolada em tecidos transparentes...
a arte aparece como génese
de nada dizer, tudo fica exposto ao tempo.
indirectamente, com pequenas doses de elixir,
introduzes-te no meu universo fechado.
o meu corpo contorce-se
em dor de dependência, projecta-me no vazio
mas estou mais forte. Não fujo ao confronto?
com esse outro de mim que julgava morto?
movimento-me num perigoso labirinto que me retira do presente
este morre e regresso ao principio de mim
ao começo do mundo.
o que procuras nas regiões do visível?
a partir de mim, eu sei
da importância da superfície
que me dá as coordenadas dos espaços
o terreno das imperfeições onde piso.
lentamente o meu mundo constrói-se
por dentro
fabrico-o com introspecções
preciso dele. vivo dele.
estas anotações acrescentam, à ponte para ti
o outro de mim projectado
eu existo
no silêncio, enrolada em tecidos transparentes...
a arte aparece como génese
de nada dizer, tudo fica exposto ao tempo.
indirectamente, com pequenas doses de elixir,
introduzes-te no meu universo fechado.
o meu corpo contorce-se
em dor de dependência, projecta-me no vazio
mas estou mais forte. Não fujo ao confronto?
com esse outro de mim que julgava morto?
movimento-me num perigoso labirinto que me retira do presente
este morre e regresso ao principio de mim
ao começo do mundo.
o que procuras nas regiões do visível?
Mensagem de final de ano
Não queria ver terminar o ano sem deixar esta mensagem de agradecimento a todos que visitaram e comentaram o meu blog.
"Alguns dão pouco do muito que têm, e fazem isso com alarde e o seu desejo oculto corrompe os seus dons. Outros tem pouco e dão tudo. Estes são os que acreditam na vida, na bondade da vida, e o seu cofre nunca ficará vazio." (...) "Aquele que é digno de receber os seus dias e as suas noites, é digno de receber de vós tudo o resto. E o que mereceu beber o oceano da vida merece encher a sua taça no vosso poço.
Que maior merecimento do que aquele que reside não na caridade mas na coragem e na confiança de receber? E quem sois vós para que os homens devam rasgar o peito diante de vós, vencendo o orgulho para poderdes ver o seu mérito a descoberto?
Procurai primeiro ser doadores e instrumentos de doação. Porque, na verdade, é a vida que dá a vida, e quando julgais ser doadores, sois apenas testemunhas.
E vós que recebeis, não carregar em vós o peso da gratidão, sob pena de impor um jugo a vós mesmos e áquele que dá, mas elevai-vos juntamente com o doador, usando os dons com asas.
Porque ligar demasiada importância à vossa dívida é duvidar da sua generosidade, que tem por mãe a Terra e Deus como Pai."
O Dom, in O Profeta, Kalil Gibran
"Alguns dão pouco do muito que têm, e fazem isso com alarde e o seu desejo oculto corrompe os seus dons. Outros tem pouco e dão tudo. Estes são os que acreditam na vida, na bondade da vida, e o seu cofre nunca ficará vazio." (...) "Aquele que é digno de receber os seus dias e as suas noites, é digno de receber de vós tudo o resto. E o que mereceu beber o oceano da vida merece encher a sua taça no vosso poço.
Que maior merecimento do que aquele que reside não na caridade mas na coragem e na confiança de receber? E quem sois vós para que os homens devam rasgar o peito diante de vós, vencendo o orgulho para poderdes ver o seu mérito a descoberto?
Procurai primeiro ser doadores e instrumentos de doação. Porque, na verdade, é a vida que dá a vida, e quando julgais ser doadores, sois apenas testemunhas.
E vós que recebeis, não carregar em vós o peso da gratidão, sob pena de impor um jugo a vós mesmos e áquele que dá, mas elevai-vos juntamente com o doador, usando os dons com asas.
Porque ligar demasiada importância à vossa dívida é duvidar da sua generosidade, que tem por mãe a Terra e Deus como Pai."
O Dom, in O Profeta, Kalil Gibran
A Morte dos Amantes
"Vamos ter leitos de sutis odores,
Divãs que às fundas tumbas são iguais,
E sobre a mesa as mais estranhas flores,
Brotando para nós no azul em paz.
Ambos queimando os últimos ardores,
Meu coração e o teu, flamas sensuais,
Refletirão em dobro as suas cores
Em nossas almas, dois gêmeos cristais.
Por uma tarde mística e envolvente,
Trocaram um só lampejo ardente,
Como o soluço em cada adeus contido;
Pouco depois um Anjo, abrindo as portas,
Há de avivar, alegre e enternecido,
Os cristais já sem brilho e as chamas mortas."
Remorso Póstumo - C. Baudelaire
Divãs que às fundas tumbas são iguais,
E sobre a mesa as mais estranhas flores,
Brotando para nós no azul em paz.
Ambos queimando os últimos ardores,
Meu coração e o teu, flamas sensuais,
Refletirão em dobro as suas cores
Em nossas almas, dois gêmeos cristais.
Por uma tarde mística e envolvente,
Trocaram um só lampejo ardente,
Como o soluço em cada adeus contido;
Pouco depois um Anjo, abrindo as portas,
Há de avivar, alegre e enternecido,
Os cristais já sem brilho e as chamas mortas."
Remorso Póstumo - C. Baudelaire
de Osho
«Amor, voce pergunta-me pelos meus dez mandamentos. Isto é muito dificil porque sou contra todo tipo de mandamento. Mas, só por brincadeira, eu deixo o que se segue:
1. Não obedeça a nenhuma ordem, excepto aquela que vem de dentro.
2. O único Deus é a própria vida.
3. A verdade esta dentro de si mesmo, não a busque em nenhum outro lugar.
4. Amor é prece.
5. Vazio é a porta para a verdade, é o meio, é o fim e o resultado.
6. A vida é aqui e agora.
7. Viva totalmente acordado.
8. Não nade, flutue.
9. Morra a cada momento para que se possa renovar a cada momento.
10. Pare de buscar. Aquilo que é, é : pare e veja.»
KESSLER, K. Upanishad, Reiki o caminho do coração, Editora Pergaminho, 2001, pág.44
1. Não obedeça a nenhuma ordem, excepto aquela que vem de dentro.
2. O único Deus é a própria vida.
3. A verdade esta dentro de si mesmo, não a busque em nenhum outro lugar.
4. Amor é prece.
5. Vazio é a porta para a verdade, é o meio, é o fim e o resultado.
6. A vida é aqui e agora.
7. Viva totalmente acordado.
8. Não nade, flutue.
9. Morra a cada momento para que se possa renovar a cada momento.
10. Pare de buscar. Aquilo que é, é : pare e veja.»
KESSLER, K. Upanishad, Reiki o caminho do coração, Editora Pergaminho, 2001, pág.44
Poema de Ana Hatherly
O decifrador de imagens
persegue um fantasma de vestígios
como Ulisses amarrado
ao querer do conhecer
A descoberta é invenção provisória:
as vozes não se vêem
o que se vê não se ouve
A imaginação
ergue-se do arrepio da sombra
guerrilha entre parênteses
ergue-se da constante chacina
procurando outra coisa
outra causa
o outro lado do ver
in O Pavão Negro, Assírio & Alvim, 2003
para o Alexandre
persegue um fantasma de vestígios
como Ulisses amarrado
ao querer do conhecer
A descoberta é invenção provisória:
as vozes não se vêem
o que se vê não se ouve
A imaginação
ergue-se do arrepio da sombra
guerrilha entre parênteses
ergue-se da constante chacina
procurando outra coisa
outra causa
o outro lado do ver
in O Pavão Negro, Assírio & Alvim, 2003
para o Alexandre
Um poema para o meu mano
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
Ricardo Reis
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
Ricardo Reis
Morrer lentamente...
Morre lentamente quem não viaja,
quem não lê, quem não ouve música,
quem destrói o seu amor próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o "preto no branco" e os "pontos nos is"
a um turbilhao de emoções indomáveis,
justamente as que resgatam brilho nos olhos,
sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva incessante, desistindo de um projecto antes de inicia-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando
sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!
poema de Pablo Neruda, enviado por um amigo
quem não lê, quem não ouve música,
quem destrói o seu amor próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o "preto no branco" e os "pontos nos is"
a um turbilhao de emoções indomáveis,
justamente as que resgatam brilho nos olhos,
sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva incessante, desistindo de um projecto antes de inicia-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando
sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!
poema de Pablo Neruda, enviado por um amigo
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Acerca de mim
Para Pensar
"Um homem pode conquistar mil homens em combate, mas aquele que se conquista a si mesmo é o maior guerreiro."
"Se aceitares menos do que aquilo que mereces, recebes menos do que aquilo que aceitaste."
"Tudo o que vemos ou parecemos
Não passa de um sonho dentro de um sonho."
"Quem quer chegar á fonte tem de nadar contra a corrente."
"Todas as nossas palavras serão inúteis se não brotarem do fundo do coração. As palavras que não dão luz aumentam a escuridão."
"Alimentem o corpo para hoje e o espirito para a Eternidade"
"O que é errado é errado mesmo que todos o façam; o que é correcto é correcto mesmo que ninguém o faça"
"Se aceitares menos do que aquilo que mereces, recebes menos do que aquilo que aceitaste."
"Tudo o que vemos ou parecemos
Não passa de um sonho dentro de um sonho."
"Quem quer chegar á fonte tem de nadar contra a corrente."
"Todas as nossas palavras serão inúteis se não brotarem do fundo do coração. As palavras que não dão luz aumentam a escuridão."
"Alimentem o corpo para hoje e o espirito para a Eternidade"
"O que é errado é errado mesmo que todos o façam; o que é correcto é correcto mesmo que ninguém o faça"
Principios do Reiki
"Só por hoje agradecerei pelas minhas várias bençãos.
Só por hoje não me preocuparei.
Só por hoje não me aborrecerei.
Só por hoje, trabalharei honestamente.
Só por hoje, serei bondoso para com o meu próximo e para com todos os seres vivos."
Só por hoje não me preocuparei.
Só por hoje não me aborrecerei.
Só por hoje, trabalharei honestamente.
Só por hoje, serei bondoso para com o meu próximo e para com todos os seres vivos."